Advogado trabalhista explica como políticas internas, canais de denúncia e capacitação das lideranças ajudam a proteger colaboradoras, fortalecer a cultura organizacional e reduzir riscos jurídicos

 

O Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, amplia uma discussão que também precisa estar presente dentro das empresas: como prevenir situações de assédio, discriminação e violência no ambiente de trabalho?

Para além das ações de conscientização, empresas de todos os portes precisam estabelecer mecanismos efetivos de prevenção, orientação e acolhimento. Políticas internas claras, canais seguros de denúncia, treinamento de lideranças e procedimentos adequados para apuração de relatos são algumas das medidas que podem contribuir para um ambiente profissional mais seguro e para a redução de riscos trabalhistas.

De acordo com Jorge Victor Veiga, especialista em Direito do Trabalho do Jorge Veiga Sociedade de Advogados, a prevenção precisa fazer parte da estratégia de gestão das organizações.

“O Agosto Lilás é uma oportunidade para as empresas olharem para além da campanha e avaliarem se, na prática, possuem mecanismos capazes de prevenir e enfrentar situações de assédio, violência e discriminação contra as mulheres. Não basta ter uma política escrita: é preciso que os colaboradores conheçam os canais disponíveis, que as lideranças estejam preparadas e que as denúncias sejam tratadas com seriedade, confidencialidade e responsabilidade”, alerta Veiga.

O advogado destaca que muitas situações podem começar de maneira aparentemente isolada e evoluir para conflitos mais graves quando não existe uma estrutura adequada de prevenção e encaminhamento.

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Prevenção começa antes da denúncia

Entre as medidas que podem ser adotadas pelas empresas estão a criação ou revisão de códigos de conduta, políticas de prevenção ao assédio, canais internos de denúncia, treinamentos periódicos e capacitação de gestores para identificar comportamentos inadequados.

Outro ponto importante é estabelecer um fluxo claro para o recebimento e a apuração de denúncias, evitando exposição da vítima e garantindo que o processo seja conduzido de maneira responsável.

“Uma empresa preparada não espera uma ação trabalhista para descobrir que havia um problema no ambiente de trabalho. A prevenção passa por informação, treinamento, canais adequados e, principalmente, por uma cultura em que a mulher saiba que será ouvida e respeitada. Do ponto de vista jurídico, quanto mais estruturados forem esses processos, maior a capacidade da organização de prevenir conflitos e agir corretamente diante de uma situação concreta”, explica o especialista.

Lideranças têm papel fundamental

Gestores e líderes ocupam posição estratégica nesse processo. São frequentemente os primeiros a perceber mudanças de comportamento, conflitos ou situações que podem indicar problemas no ambiente profissional.

Por isso, segundo o especialista, a capacitação das lideranças deve fazer parte das políticas corporativas.

“Não adianta uma empresa possuir um excelente código de conduta se seus gestores não sabem como agir diante de uma denúncia. A liderança precisa entender os limites de comportamento, saber acolher uma situação relatada e conhecer o procedimento que deve ser seguido. Prevenção também é preparar quem está na gestão para tomar decisões responsáveis.”

O Agosto Lilás, portanto, pode ser utilizado pelas organizações não apenas como uma campanha institucional, mas como um momento para revisar políticas, processos e práticas relacionadas à proteção das mulheres no ambiente profissional.

Para o Jorge Veiga, investir em prevenção significa unir responsabilidade social, boas práticas de gestão e segurança jurídica.

Agosto Lilás: prevenção ao assédio e à violência contra a mulher também é responsabilidade das empresas 1
Jorge Victor Veiga, especialista em Direito do Trabalho do Jorge Veiga Sociedade de Advogados

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