Programa Trilhas Profissionais prevê atualização de nomenclaturas tradicionalmente utilizadas pelo setor, substituindo termos como ‘servente’ e ‘pedreiro’, por denominações alinhadas às competências profissionais, como ‘assistente de produção’.

 

O setor da construção civil brasileira dá um passo inédito na modernização das relações de trabalho. O programa Trilhas Profissionais da Construção, cria modelo inovador de gestão de recursos humanos e padroniza as carreiras no setor, independente da empresa em que o trabalhador atue.  O diretor da Regional Campinas do SindusCon-SP, Marcio Benvenutti e a diretora de unidade do Senai-SP, Camila Pimenta, apresentaram o programa para representantes de empresas do setor da construção da região de Campinas. A apresentação foi nessa terça (29), no auditório da Escola Senai Roberto Mange, em Campinas.

O setor da construção civil brasileira dá um passo inédito na modernização das relações de trabalho. O programa Trilhas Profissionais da Construção, cria...

O programa foi desenvolvido conjuntamente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) e Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo (Feticom).

A iniciativa também responde a um dos maiores desafios da construção civil – a escassez de mão de obra qualificada. Embora o setor já ofereça salários de entrada no mercado formal, com remuneração média de cerca de R$ 2,4 mil e possibilidade de alcançar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil nos cargos de mestre de obras, além de todos os direitos sociais, a falta de uma trajetória profissional clara dificulta a atração e a retenção de trabalhadores.

O diretor da Regional Campinas do SindusCon-SP, Marcio Benvenutti, afirmou que o programa Trilhas Profissionais foi desenvolvido para a qualificação de uma mão de obra mais apropriada, para o atual momento do setor. Ele mencionou que o Trilhas Profissionais está alinhado com o crescente processo de industrialização que o setor atravessa.

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Trilhas Profissionais da Construção – Crédito: Roncon & Graça Comunicação

“O programa desenvolvido junto com o Senai, propõe novas normas, unificando a nomenclatura dessas profissões, de norte a sul do País, assim como as competências desses profissionais. Dessa forma, pode ocorrer inclusive a valorização salarial em razão da melhoria na qualificação”, explicou.

A diretora de unidade do Senai-SP, Camila Pimenta, comentou sobre as ações conjuntas das entidades – SindusCon-SP e Senai-SP, com foco na necessidade do setor da construção de uma maior qualificação de seus profissionais.

“Vamos levar essa formação, seja para um curso simples de 48 horas, 60 horas ou 80 horas, para dentro dos canteiros de obras, para a primeira oportunidade de acesso para essa qualificação. Sabemos que esse trabalhador, muitas vezes, aprende de forma empírica, de pai para filho, ou no caso, de trabalhador para trabalhador. Levar essa formação de maneira correta é uma responsabilidade nossa, junto com as construtoras”, acrescentou Camila.

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Marcio Benvenutti – Crédito: Roncon & Graça Comunicação

 Fernando Carvalho Maryama, analista de RH da construtora A.Yoshii, explicou as  necessidades que em geral as empresas têm com a escassez de determinados profissionais.

“Cito o exemplo de pintor. Temos uma grande dificuldade para contratar esse profissional em Campinas. Fizemos um levantamento de pintores e chegamos a conclusão que outras construtoras também estavam com essa mesma dificuldade”.

O programa organiza a profissão em sete linhas de atuação técnica e sete níveis de evolução profissional, estabelecendo critérios padronizados de qualificação, experiência e certificação para orientar o desenvolvimento de carreira. O objetivo é ampliar a atratividade do setor, elevar a qualificação da mão de obra, valorizar os profissionais e criar maior previsibilidade para empresas e trabalhadores.

Atualmente, as empresas utilizam diferentes cargos, critérios de promoção e nomenclaturas para funções semelhantes, dificultando o reconhecimento das competências, a mobilidade profissional e o planejamento do desenvolvimento dos trabalhadores. Com o programa Trilhas Profissionais da Construção, o profissional passa a ter um caminho estruturado e padronizado de crescimento, podendo evoluir continuamente conforme sua experiência, qualificação e certificação. Para as empresas, a padronização facilita a gestão e a retenção de profissionais.

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Representantes do Programa Trilhas Profissionais da Construção – Crédito: Roncon & Graça Comunicação

Além de estruturar a carreira, o programa prevê a atualização das nomenclaturas tradicionalmente utilizadas pelo setor, substituindo termos como “servente” e “pedreiro”, por denominações alinhadas às competências profissionais, como Assistente de Produção e Oficial de Produção. O SindusCon-SP também atuará para atualizar essas nomenclaturas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho.

As construtoras serão responsáveis pelo investimento na qualificação dos trabalhadores, utilizando a estrutura de formação do Senai-SP, que desenvolveu cursos específicos e critérios objetivos de certificação para cada uma das sete linhas de atuação técnica. As capacitações serão realizadas preferencialmente nos canteiros de obras, com duas horas semanais da jornada de trabalho destinadas às aulas, ou nas unidades do Senai-SP, em cursos com duração definida de acordo com cada formação.

O programa será implantado inicialmente por meio de um projeto-piloto com duração de 12 meses. Participarão de forma voluntária, dez construtoras, cada uma conectada a duas empreiteiras, totalizando 30 empresas. Após a validação do modelo, a expectativa é que ele seja incorporado às convenções coletivas do estado de São Paulo e posteriormente, expandido nacionalmente, em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT).

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